Os desafios do Investimento Socialmente Responsável / ESG

O crescimento explosivo dos fundos dedicados a investimento socialmente responsáveis é nítido. Nos EUA, em 1995 apenas 55 fundos de investimento incorporavam princípios de ESG em suas políticas; dez anos depois este número passou para 201 fundos e, uma década mais tarde já atingiam a marca de mil (dados da USSIF – The Forum for Sustainable and Responsible Investing).
 
A partir disso, criou-se uma enorme demanda para entender os riscos provenientes das companhias e, consequentemente, várias agências passaram a oferecer serviços de rating, sob o qual conseguiam classificar as companhias por notas a partir de diferentes critérios. As mais representativas globalmente nesta área são a MSCI, a Sustainalytics, a RepRisk e a ISS Environmental & Social QualityScore.
 
No Brasil não foi diferente. O montante alocado em investimento focado em ESG ainda é pequeno, mas altamente crescente. Tal demanda levou ao surgimento de agências brasileiras focadas em companhias domésticas, que também tratam de classificar companhias em relação aos critérios de ESG e seus respectivos riscos. São os casos da Resultante, Kipu Invest, Sitawi entre outras.
 
Apesar de vermos este movimento com muito bons olhos, não podemos nos esquecer que os critérios de ESG são subjetivos e, portanto, difícil de serem quantificados ou ranqueados. Nos EUA, por exemplo, o Bank of America foi classificado como CCC (abaixo da média) pela RepRisk ao passo que a Sustainalytics estabeleceu a nota 70 (bem acima da média) para o mesmo banco; cada qual com seus critérios.
 
Ao contrário das agências de classificação de risco financeiro, que baseiam-se em critérios quantitativos, e que por conseguinte levam a uma maior uniformidade de ratings, as classificações de ESG podem variar bastante de acordo com a agencia classificadora e seus critérios.
 
Além disso, há que se levar em consideração que empresas que transgridem os princípios éticos tendem a ser menos transparentes e, com isso, levam os analistas e agências a superestimar suas classificações. Vemos o caso abaixo, da Volkswagen, que possuía um rating muito acima dos seus pares até que o escândalo dos motores poluentes veio à tona, levando à uma rápida deterioração dos ratings:

volkswagen.png

Fonte: “Ratings that don´t rate”, Timothy M Doyle
 
A ajuda de consultorias e agências são fundamentais fontes de informação e consulta para questões de ESG; assim como agências de risco para questões financeira e departamentos de análise (sell side) de bancos e corretoras para a compreensão de empresas e setores. Mas a nenhum destes pode ser atribuída isoladamente a responsabilidade de avaliar e entender riscos.
 
O melhor entendimento das questões ambientais, de sustentabilidade, de governança (e aqui também acrescentamos ética), somente pode ser realizado através de inúmeras interações com as companhias investidas e percepção clara de sua cultura e princípios.