Valor Econômico: FAMA é única gestora brasileira comprometida com carbono zero (11/12/2020)

Valor Econômico: FAMA é única gestora brasileira comprometida com carbono zero (11/12/2020)

Um grupo de 30 gestoras de recursos globais que, juntas, reúnem mais de US$ 9 trilhões em ativos sob administração, anunciou nesta sexta-feira (11) apoio à meta de reduzir a zero as emissões de gases causadores de efeito estufa até 2050 ou antes disso. Essas gestoras deverão concentrar seus recursos em um portfólio de empresas que estejam zerando

as emissões de carbono.

A iniciativa foi batizada de “Net Zero Asset Managers initiative”. O compromisso está em linha com os esforços globais relacionados ao aquecimento global.

Estão no grupo gestores de grande porte como Fidelity, Schroders, UBS, Generation e Wellington. A maioria vem da Europa: 11 são do Reino Unido; Suécia e Holanda contam cada um com três representantes;

duas casas são francesas e uma, alemã. Há, ainda, quatro assets dos Estados Unidos e duas da Austrália. Canadá, Japão e Cingapura tem um cada. O Brasil também aparece na lista com um representante, a gestora FAMA.

“Existe uma preocupação com a urgência da questão climática e descarbonização, com várias iniciativas, muitas vezes das empresas ou de investidores isolados, que assumem compromissos. Mas ainda não existe um compromisso formal, de fundos, de adaptar seu portfólio. É o que está acontecendo hoje”, afirma Fabio Alperowitch, sócio da FAMA, que tem sido muito ativa na divulgação e cobrança de investimentos ESG. A casa brasileira foi convidada para entrar como integrante fundadora dessa iniciativa. Daqui para a frente, a expectativa é que outras gestoras anunciem sua adesão a esse compromisso.

Alperowitch destaca que, no caso da FAMA, que tem, hoje, apenas um fundo de empresas líquidas e de pequeno porte, ainda mais comparado aos volumes geridos pelas outras, a transição é tranquila.

Ele destaca a relevância desse comprometimento para as grandes casas globais. “Elas se comprometeram a descarbonizar as carteiras, ao longo do tempo, com metas iniciais até 2030. E estamos falando em US$ 9 trilhões. Para quem tem diversos investimentos, em vários países, com posições líquidas e ilíquidas em todos os setores, é realmente uma iniciativa muito grande. Elas já começam agora uma corrida para despoluir a carteira”, diz.

Isso equivale a dizer que são trilhões de dólares em recursos carimbados para empresas comprometidas com essa agenda. E que também deixarão aquelas que não estão alinhadas com essas práticas. As gestoras deverão fazer tanto o trabalho de cobrar as empresas investidas para que tomem esse caminho como até vetar investimentos em negócios que não tenham essa preocupação.

O sócio da FAMA afirma que ao assumir o compromisso de reduzir a emissão de gases, esse fator passará a ser acompanhado como são hoje os guidances financeiros divulgados pela companhia. “Ela estará sob os holofotes e vai ter de prestar contas desse desempenho. Se não entregar as metas, vai sofrer um descrédito reputacional muito grande”, diz Alperowitch.

Urgência
No comunicado que divulgou a iniciativa, as gestoras dizem que reconhecem a urgência de acelerar a transição do mundo de investimentos para o carbono zero e que a indústria de gestão precisa fazer a sua parte para ajudar o alcance das metas do acordo de Paris, que completa, neste sábado (12), cinco anos.

Gilbert Van Hassel, presidente da holandesa Robeco, diz no comunicado que de acordo com as informações da comunidade científica sobre as alterações climáticas, está claro que a sociedade precisa agir imediatamente.

“Não podemos resolver um problema desse tamanho sozinhos. O que podemos fazer é dar o exemplo para a indústria em geral, trabalhar em conjunto e incentivar outras instituições financeiras a seguir o exemplo. Estabelecemos esta ambição com a convicção de que investir não é apenas criar riqueza, mas também contribuir para o bem-estar”, declarou Van Hassel.

David Blood, sócio da Generation, fundo do ativista Al Gore, afirmou que a transição para a zeragem das emissões desses gases será “a maior transformação da história econômica”.

“Queremos enviar um sinal claro de que simplesmente não há mais tempo a perder. As oportunidades de alocação de capital para essa transição nos próximos anos não podem ser subestimadas. Sem o setor de gestão de ativos a bordo, as metas estabelecidas no Acordo de Paris serão difíceis de cumprir”, declarou, em comunicado.

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