Folha de SP: Especialistas apontam quais temas ESG serão essenciais em 2022 (29/01/2022)

Folha de SP: Especialistas apontam quais temas ESG serão essenciais em 2022 (29/01/2022)

O ano de 2021 marcou a entrada do ESG (sigla em inglês para os princípios ambiental, social e de governança) no vocabulário corporativo. Entre o entusiasmo de uns e a desconfiança de outros, o termo ganhou destaque no mundo dos negócios —e deve permanecer em alta ao longo de 2022.

A pedido da Folha, especialistas fizeram suas apostas sobre quais temas serão essenciais na pauta sustentável de 2022.

De justiça climática a saúde mental, passando por descarbonização e inteligência de dados, as análises apontam para um amadurecimento da discussão sobre ESG neste ano. Confira a lista completa abaixo.

CARLO PEREIRA, DIRETOR-EXECUTIVO DA REDE BRASIL DO PACTO GLOBAL

Discussão será menos sobre carbono, e mais sobre pessoas e ambiente

Clima é um tema que vai continuar em alta, sobre isso não há dúvidas. Mas um assunto que deve crescer é a justiça climática.

Se analisarmos o papel histórico dos países em desenvolvimento, eles não contribuíram tanto para as mudanças climáticas quanto os países desenvolvidos. É desse entendimento que nasce a ideia de responsabilidade comum (de todos), porém diferenciada.

Observando o ranking de emissões per capita, por exemplo, vemos que mesmo a China não é um emissor de gases de efeito estufa tão importante assim. Em 2020, ela ficou na 39ª posição [segundo levantamento da Statista] —sendo que, em emissões absolutas, o país está em primeiro lugar.

Então é o cidadão chinês que tem de emitir menos ou o europeu que precisa emitir muito menos e perder o seu conforto?

Dentro dessa discussão, há também a questão dos efeitos climáticos. Alguns países já estão sofrendo muito por um problema que não foi provocado por eles.

Justiça climática é um assunto complexo. Em 2022 nós vamos falar menos de mitigação e mais sobre pessoas e meio ambiente.

VANESSA PINSKY, PESQUISADORA DA USP E ESPECIALISTA EM ESG

Saúde mental vai ser um dos maiores desafios para as companhias

O pilar social da agenda ESG será o grande desafio das empresas em 2022, em especial a parte de gestão de pessoas, com os temas de bem-estar e saúde mental.

Essa foi uma das questões destacadas por Larry Fink, diretor-executivo Black Rock, em sua mais recente carta direcionada ao mercado, na qual ele chama a atenção para os riscos na relação entre empregadores e funcionários.

A saúde mental e a forma como as companhias lidam com seus funcionários são o novo paradigma do mundo do trabalho.

Esse é um tema emergente e o fato de Larry Fink o ter colocado como uma das prioridades mostra o quão central está se tornando para o mercado de capitais.

Inclusive, desde janeiro deste ano, a síndrome de Burnout passou a ser classificada como um fenômeno ligado ao trabalho —não mais uma condição de saúde.

Por isso, empresas que não priorizarem programas de promoção e prevenção da saúde mental dos seus funcionários podem ser mais suscetíveis a problemas trabalhistas e de produtividade, com impactos financeiros para a organização.

FABIO ALPEROWITCH, FUNDADOR DA FAMA INVESTIMENTOS, GESTORA DE FUNDOS COM FOCO EM ESG

Empresas vão despertar para a litigância climática como um fator de risco

Em 2022, veremos mais casos de litigância climática ocorrendo no mundo e mais companhias com medo de serem processadas por seus impactos ambientais.

Algo semelhante já aconteceu com a Shell. No ano passado, um tribunal distrital em Haia, na Holanda, decidiu a favor de ecologistas e ordenou que a petrolífera cortasse suas emissões de carbono em 45% até 2030.

Contudo, o tema não deve ser tão forte no Brasil. A Justiça brasileira ainda não tem capacidade para atuar frente a esse tipo de processo climático —o que não significa dizer que o país não será impactado por eventuais desdobramentos.

Hipoteticamente, um produtor rural estrangeiro que teve sua produção afetada pela falta de chuvas pode acionar algum tribunal internacional para processar o governo brasileiro pelo desmatamento na Amazônia.

Acredito que ainda não veremos pessoas processando empresas. Mas pode ser o caso de governos, instituições e ONGs começarem a fazer isso.

NELMARA ARBEX, LÍDER DE ESG DA CONSULTORIA KPMG

Inteligência de dados ESG será fundamental para a estratégia dos negócios

Os aspectos ambiental, social e de governança têm cada vez mais impacto sobre o sucesso ou não de um negócio, o que engloba sua capacidade de acessar capital, definir riscos reputacionais, atrair talentos e ganhar competitividade.

Por ser um assunto imprescindível, executivos e conselheiros vão demandar dados ESG de suas companhias para tomar decisões estratégicas.

Tais informações precisam ter qualidade e, para isso, vão exigir arquitetura inteligente para coleta de dados, gestão qualificada e sistemas auditáveis.

O chamado ESG Data Intelligence será um dos temas mais críticos para a elevação da agenda no nível estratégico dos negócios. Em 2022, o tema estará, definitivamente, no topo da lista das lideranças.

MARIANA OITICICA, CHEFE DA ÁREA DE ESG E INVESTIMENTO DE IMPACTO DO BTG PACTUAL

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Especialistas apontam quais temas ESG serão essenciais em 2022

Justiça climática, saúde mental e inteligência de dados são algumas das apostas para este ano

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29.jan.2022 às 23h15

Thiago BethônicoSÃO PAULO

O ano de 2021 marcou a entrada do ESG (sigla em inglês para os princípios ambiental, social e de governança) no vocabulário corporativo. Entre o entusiasmo de uns e a desconfiança de outros, o termo ganhou destaque no mundo dos negócios —e deve permanecer em alta ao longo de 2022.

A pedido da Folha, especialistas fizeram suas apostas sobre quais temas serão essenciais na pauta sustentável de 2022.ADVERTISING

De justiça climática a saúde mental, passando por descarbonização e inteligência de dados, as análises apontam para um amadurecimento da discussão sobre ESG neste ano. Confira a lista completa abaixo.



​CARLO PEREIRA, DIRETOR-EXECUTIVO DA REDE BRASIL DO PACTO GLOBAL

Carlo Pereira, diretor-executivo da Rede Brasil do Pacto Global – Marlene Bergamo/Folhapress

Discussão será menos sobre carbono, e mais sobre pessoas e ambiente

Clima é um tema que vai continuar em alta, sobre isso não há dúvidas. Mas um assunto que deve crescer é a justiça climática.

Se analisarmos o papel histórico dos países em desenvolvimento, eles não contribuíram tanto para as mudanças climáticas quanto os países desenvolvidos. É desse entendimento que nasce a ideia de responsabilidade comum (de todos), porém diferenciada.

Observando o ranking de emissões per capita, por exemplo, vemos que mesmo a China não é um emissor de gases de efeito estufa tão importante assim. Em 2020, ela ficou na 39ª posição [segundo levantamento da Statista] —sendo que, em emissões absolutas, o país está em primeiro lugar.

Então é o cidadão chinês que tem de emitir menos ou o europeu que precisa emitir muito menos e perder o seu conforto?

Dentro dessa discussão, há também a questão dos efeitos climáticos. Alguns países já estão sofrendo muito por um problema que não foi provocado por eles.

Justiça climática é um assunto complexo. Em 2022 nós vamos falar menos de mitigação e mais sobre pessoas e meio ambiente.



VANESSA PINSKY, PESQUISADORA DA USP E ESPECIALISTA EM ESG

Mulher sorrindo para foto
Vanessa Pinsky, pesquisadora da USP e especialista em ESG – Arquivo pessoal

Saúde mental vai ser um dos maiores desafios para as companhias

O pilar social da agenda ESG será o grande desafio das empresas em 2022, em especial a parte de gestão de pessoas, com os temas de bem-estar e saúde mental.

Essa foi uma das questões destacadas por Larry Fink, diretor-executivo Black Rock, em sua mais recente carta direcionada ao mercado, na qual ele chama a atenção para os riscos na relação entre empregadores e funcionários.

A saúde mental e a forma como as companhias lidam com seus funcionários são o novo paradigma do mundo do trabalho.

Esse é um tema emergente e o fato de Larry Fink o ter colocado como uma das prioridades mostra o quão central está se tornando para o mercado de capitais.

Inclusive, desde janeiro deste ano, a síndrome de Burnout passou a ser classificada como um fenômeno ligado ao trabalho —não mais uma condição de saúde.

Por isso, empresas que não priorizarem programas de promoção e prevenção da saúde mental dos seus funcionários podem ser mais suscetíveis a problemas trabalhistas e de produtividade, com impactos financeiros para a organização.



FABIO ALPEROWITCH, FUNDADOR DA FAMA INVESTIMENTOS, GESTORA DE FUNDOS COM FOCO EM ESG

Retrato de homem sentado em cadeira numa sala
Fabio Alperowitch, fundador da Fama Investimentos, gestora de fundos com foco em ESG – Divulgação

Empresas vão despertar para a litigância climática como um fator de risco

Em 2022, veremos mais casos de litigância climática ocorrendo no mundo e mais companhias com medo de serem processadas por seus impactos ambientais.

Algo semelhante já aconteceu com a Shell. No ano passado, um tribunal distrital em Haia, na Holanda, decidiu a favor de ecologistas e ordenou que a petrolífera cortasse suas emissões de carbono em 45% até 2030.

Contudo, o tema não deve ser tão forte no Brasil. A Justiça brasileira ainda não tem capacidade para atuar frente a esse tipo de processo climático —o que não significa dizer que o país não será impactado por eventuais desdobramentos.

Hipoteticamente, um produtor rural estrangeiro que teve sua produção afetada pela falta de chuvas pode acionar algum tribunal internacional para processar o governo brasileiro pelo desmatamento na Amazônia.

Acredito que ainda não veremos pessoas processando empresas. Mas pode ser o caso de governos, instituições e ONGs começarem a fazer isso.



NELMARA ARBEX, LÍDER DE ESG DA CONSULTORIA KPMG

Nelmara Arbex, líder de ESG da consultoria KPMG – Gabriel Cabral/Folhapress

Inteligência de dados ESG será fundamental para a estratégia dos negócios

Os aspectos ambiental, social e de governança têm cada vez mais impacto sobre o sucesso ou não de um negócio, o que engloba sua capacidade de acessar capital, definir riscos reputacionais, atrair talentos e ganhar competitividade.

Por ser um assunto imprescindível, executivos e conselheiros vão demandar dados ESG de suas companhias para tomar decisões estratégicas.

Tais informações precisam ter qualidade e, para isso, vão exigir arquitetura inteligente para coleta de dados, gestão qualificada e sistemas auditáveis.

O chamado ESG Data Intelligence será um dos temas mais críticos para a elevação da agenda no nível estratégico dos negócios. Em 2022, o tema estará, definitivamente, no topo da lista das lideranças.



MARIANA OITICICA, CHEFE DA ÁREA DE ESG E INVESTIMENTO DE IMPACTO DO BTG PACTUAL

Retrato de mulher loira com braços cruzados
Mariana Oiticica, chefe da área de ESG e investimento de impacto do BTG Pactual – Divulgação

Descarbonização vai abrir novas oportunidades de negócios

Com o Acordo de Paris e a COP26, diversas empresas assumiram compromissos relacionados à redução de gases de efeito estufa. Por isso, em 2022, muitas oportunidades de negócios estarão ligadas a este tema.

Para cumprir com as metas firmadas, as companhias precisarão fazer investimentos. A estimativa é que, só neste ano, mais de US$ 2,5 trilhões (R$ 13,5 trilhões) sejam investidos em descarbonização —valor que, em 2021, ficou próximo de US$ 1 trilhão (R$ 5,4 trilhões). Ou seja, tudo indica que o assunto vai ganhar ainda mais tração.

A descarbonização envolve o uso de tecnologias, que vão desde a mitigação dos impactos ambientais até a maior eficiência energética.

Sendo assim, o tema abrirá oportunidades de mercado em 2022, tanto para as tecnologias que já estão maduras —e que vão poder ser comercializadas em larga escala— quanto para as startups que estão apostando em novas ferramentas e estratégias.

MAURÍCIO COLOMBARI, SÓCIO DA EMPRESA DE CONSULTORIA E AUDITORIA PWC

Metas ESG estarão sob maior escrutínio

Para evitar o greenwashing (a propaganda enganosa verde), é esperado que as organizações que assumiram compromissos socioambientais detalhem o plano de trabalho para atingi-los, incluindo pessoas responsáveis, metas intermediárias e ações imediatas.

Embora os temas ESG venham ganhando importância na agenda dos executivos, pesquisas feitas pela PwC indicam que a pauta ainda é vista como algo de longo prazo —e muitas vezes colocada em segundo plano.

Além disso, na maioria das vezes, as metas estabelecidas não estão relacionadas à estratégia da companhia, tampouco vinculadas ao plano de remuneração dos executivos.

Diante desse cenário, as promessas corporativas estarão sob maior escrutínio, e as empresas serão pressionadas a divulgar como vão cumprir com seus compromissos.

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