Estado de São Paulo: Compromisso do mercado com ESG na COP foi pífio, diz Alperowitch, da Fama (19/11/2021)

Estado de São Paulo: Compromisso do mercado com ESG na COP foi pífio, diz Alperowitch, da Fama (19/11/2021)

Fabio Alperowitch, sócio da Fama Investimentos, uma das gestoras mais respeitadas pelas práticas ESG (ligadas ao meio ambiente, social e de governança, da sigla em inglês), fez um levantamento sobre os compromissos assumidos na área pelo mercado financeiro, na COP-26. Resultado: muita espuma para pouca onda.

A iniciativa brasileira IPC (Investidores pelo Clima), por exemplo, produziu um documento sem qualquer compromisso formal para os investidores. Externa preocupações e solicita atenção do governo em alguns pontos – e só. Mesmo assim, foi assinada por apenas 18 gestoras de recursos, fundos de pensão, seguradoras e family offices.

Já a iniciativa Net Zero Asset Managers (NZAM), que estabelece o compromisso de descarbonização dos portfólios, foi lançada no ano passado e conta com a adesão de 220 instituições globais, que somam US$ 57 trilhões sob gestão. Tem apenas duas brasileiras como signatárias: a Fama e a JGP.

Outro movimento, o Global Investor Statement to Governments on the Climate Crisis reúne mais de US$ 41 trilhões de ativos sob gestão, em torno de causas semelhantes. A Fama é a única gestora brasileira signatária.

Para Alperowitch, o problema não está circunscrito ao mercado financeiro. Com cerca de 400 empresas na B3, há apenas 30 companhias brasileiras comprometidas com metas de redução baseadas em ciência (SBTi). Dentre elas, só quatro têm os objetivos aprovados. “Fica evidente que apenas uma pequena fração tem compromissos sólidos”, diz ele. “O governo está longe de fazer sua parte, mas empurrar unicamente a ele o compromisso com a solução, ao mesmo tempo em que não há comprometimento próprio, está longe de ser apenas hipocrisia.”

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