A Questão da Amazônia
e o Mercado de Capitais no Brasil

O Brasil está novamente no centro das manchetes em todo mundo e, infelizmente, pelo lado negativo. 


Os incêndios na Amazônia não podem ser desprezados. Trata-se de um assunto denso, cheio de nuances, em que é muito difícil separar fatos de ruídos; atribuir responsabilidades específicas e identificar causas, abstraindo vieses partidários e ideológicos.


Não é nosso papel, enquanto gestores de recursos, ter uma opinião técnica sobre a questão. Nossa visão, pragmática, nos leva a tentar entender as consequências dos fatos para o Brasil do ponto de vista econômico, bem como cobrar do ecossistema em que nos inserimos (empresas e investidores) uma maior atenção a este tema costumeiramente relevado a terceiro plano, a não ser em contextos emergenciais como o atual.


De acordo com o CDP (anteriormente Carbon Disclosure Project) – uma das entidades mais respeitadas do planeta em relação ao tema de mudanças climáticas – o Brasil é o país pesquisado com menor preocupação dos Conselhos de Administração em relação ao tema ambiental / alterações climáticas: apenas metade das companhias nacionais discute o assunto em seus conselhos, ante 54% na Argentina, 65% no México e 87% na Europa.


Outra pesquisa, divulgada pelo mesmo instituto, mostra que o Brasil é o segundo país com menor nível de inclusão da questão climática nas estratégias das companhias: apenas 55% das empresas brasileiras o fazem, ante a média mundial de 72%, índice que chega a 84% na Europa.


Não deixa de ser um contrassenso que o Brasil, o país com a maior biodiversidade do mundo, venha desprezando um tema desta relevância e magnitude. Tal desdém dificulta a aplicação de respostas rápidas a situações críticas como a que vivemos, levando-nos à vulnerabilidade de suas consequências.


Como percebemos acima, há um abismo que divide a percepção do tema entre a Europa (prioritário) e Brasil (secundário), o que pode implicar em sérias consequências econômicas ao país.


Não podemos descartar a hipótese de haver sanções econômicas prejudicando a exportação de produtos brasileiros, especialmente ao continente Europeu. Mais grave, não podemos descartar um recuo no histórico acordo recém costurado entre a União Europeia e o Mercosul, após duas décadas de tratativas. 


Infelizmente, a cultura brasileira em geral é reativa a choques, e não preventiva. Foi preciso ficar à beira do abismo fiscal para que a reforma da previdência fosse aprovada. Agora, temos que assistir a Amazônia queimando para que o tema ganhe a relevância que merece.


Se é possível ver algo de positivo no contexto em que vivemos é que o tema não pode mais ser ignorado. É nosso dever – como deveria ser de todos os investidores – trazê-lo cada vez mais para a mesa de discussão nas conversas sobre os planos de negócios das empresas.


Pensar em ESG é, em última instância, levar em consideração importantes temas para mitigar ou reduzir riscos futuros. Está mais do que na hora de tirar este assunto da obscuridade. Cabe a nós, investidores e gestores, o papel de endereçar o tema junto às companhias investidas e contribuir para tirar o Brasil da incômoda posição das estatísticas de desmatamento e queimadas ilegais.
 

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